terça-feira, 13 de setembro de 2016

LEMBRANÇA DE UM MENINO MORTO

A vida, se vivida sem ausências
É bela, fácil, inadmite freios
Mas quando cobra o preço, sem rodeios
Impõe-nos suas duras consequências
E as penas que pagamos são sofrências
São dores que ao prazer levantam muro
Mil lágrimas vertidas, em obscuro
Fluindo ... quase um rio em frias águas
Cronista de mim mesmo, espanto as mágoas
Pro fundo do baú do meu futuro...


Escuro este meu mundo me parece
A luz que se apagou, tão esperada,
Tocou-me a alma, mas a vi calada
Numa manhã...e até fugiu-me a prece
Mas aprendi: A fé também fenece!
E assim me torno incréu, um ser impuro
Por que desesperado eu me esconjuro?
As sombras dessa dor agora trago-as
Cronista de mim mesmo, espanto as mágoas
Pro fundo do baú do meu futuro

domingo, 8 de maio de 2016

PARA A MINHA SANTA MÃE MARIA

Maria e seus dois filhos mais velhos


Neste Dia das Mães, uma alegria
A pulsar neste mundo sem fronteira
Cada filho hasteia uma bandeira
Da Rainha que ao mundo contagia.
E eu recordo a beleza de Maria, 
Minha mãe tão querida e hoje ausente
Mas que em meu coração se faz presente
Quando a dor traz real necessidade
A PALMADA DA MÃE NÃO DÓI METADE
DAS PALMADAS QUE A VIDA DÁ NA GENTE

Muito poucas levei e tão macias
Eram raras as doces reprimendas
De minha mãe, eram quase oferendas,
Do amor que em seu peito ela trazia
E em vez de chorar, eu quase ria
e a fazia sorrir em tom clemente
E assim, nesse amor tão conivente
Aprendi com essa deusa de Bondade
Que a palmada da mãe não dói metade
Das palmadas que a vida dá na gente

De Mãezinha eu chamava a minha Santa
Nos seus braços teci um doce ninho
Ela só me chamava Fredezinho
E agora a Saudade me aquebranta
Feito um nó apertando-me a garganta
O seu rosto surgindo em minha mente
Faz surgir no meu peito uma dor pungente
Que só vem aumentando com a idade
A palmada da mãe não dói metade
Das palmadas que a vida dá na gente

Hoje choro ao lembrar do seu semblante
Mesmo assim a esperança me domina
Pois eu sei que na estrada que termina
Há uma luz de um azul muito brilhante
É o olhar de Mãezinha, inebriante,
Qual perfume de rosas do Oriente
Que me toma em embriaguês crescente
E que me faz voltar à tenra idade
A palmada da mãe não dói metade
Das palmadas que a vida dá na gente





segunda-feira, 21 de setembro de 2015

DESCENDO A LADEIRA





É um tal de inventa e desinventa
É um tal de acabar com Ministério
que ninguém mais suporta esse mistério,
que ninguém de bom senso ainda aguenta.
Por que foram eleger a Presidenta?
Por que diabo o Brasil 'tá se lascando?
Se o dinheiro do petróleo 'tá acabando?
Se não resta mais um metro de estrada?
E no meio dessa terra avacalhada
Lula e Dilma já estão evaporando..



quarta-feira, 9 de setembro de 2015

O MURO DA VERGONHA

Num sol quente de verão
No Dia da Independência
Lula bateu continência
Pro general de plantão
Lá no meio do Eixão
Falou sem qualquer decoro
Quase caindo no choro
Pensando no seu futuro
Tou me lixando pro MURO
Eu tenho medo é do MORO

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

OU FICAR A PÁTRIA LIVRE, OU MORRER PELO BRASIL !!



Hoje, Dia da Independência, mais do que nunca o Grito do Ypiranga ressoará nos ouvidos, no coração e na mente dos verdadeiros brasileiros.

Não dos que apenas nasceram nessa Pátria-Mãe tão adorada por uns e tão menosprezada por tantos que desejam subjugá-la aos seus mesquinhos interesses político-ideológicos, a ponto de querer entregar a terceiras espúrias nações em decadência patriótico/econômico/ideológica em que chafurdam, desde a exportação de mão-de-obra escrava a drogas e armamentos pesados.

São essas, as republiquetas bolivarianas, cujos arautos incrustados no poder do Governo Brasileiro tanto mal fazem aos seus habitantes, hoje mudos, oprimidos e incomunicáveis, confinados nas suas fronteiras em pleno processo de decadência, com o nivelamento por baixo de todas as elucubrações dos seus enganosos e corruptos líderes.

Nós brasileiros temos a obrigação de refletir se queremos, para esta grande Nação, o tipo de regime que tentam nos impingir. Por isso abri este post de hoje, que dedico a todos os que amam verdadeiramente o Brasil.

Fiz questão de gravar, toscamente, ao piano, o trecho que considero mais bonito e emocionante do Hino da Independência, composto pelo Imperador Pedro I, sobre poema de Evaristo da Veiga.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

90 ANOS DE MARIA CARNEIRO LEÃO MONTEIRO DA CRUZ


Faria hoje 90 anos, se Deus não a tivesse chamado, exatamente no dia dos Namorados, para reencontrar-se com o seu amado Frederico, nosso pai terreno.  Maria foi a criatura mais doce que conheci.  Eu e meus 12 irmãos e irmãs não cansamos de louva-la por tudo o que ela sempre representou nas nossas vidas. Amor, carinho, renúncia, sacrifício, eram nela coisas tão comuns como seu sorriso sempre presente, largo, generoso, como nessa foto muito antiga.  De quando ela tinha apenas 18 anos.  Uma flor de pessoa. Inesquecível.  Transcrevo aqui a letra de uma valsa que compus para ela, que sempre se emocionava quando eu cantava:
Maria, a mais linda menina
Sorriso traquina nos olhos de mel
Um Anjo de Amor transformando
A vida difícil em pedaço do Céu


Das noites insones recordo
Sua mão, seus afagos me trazendo a Paz
E as suas cantigas singelas
Abriam janelas em ondas de Luz


Aos seus treze filhos guardando
Debaixo das asas da sua bondade
Jamais recusou um apelo
Doando-se em zelo, com felicidade


Por tudo o que lhe fiz sofrer
Maria eu lhe peço perdão
Aceite este meu acalanto
Meus cabelos brancos e o meu coração...








Mãezinha querida, onde você e Paizinho estiverem, recebam a nossa alegria pelos seus 90 aninhos.
Dê um beijo no meu querido Frederico e continuem muito felizes olhando por nós, seus filhos que tanto amam.  Obrigado, Mãe!



domingo, 27 de abril de 2014

SEMANA DO CHORO NO RECIFE - BETO DO BANDOLIM

Durante a semana que ora finda foi comemorado o Dia Nacional do Choro, na quarta-feira, 23.

Aqui no Recife, onde o movimento dos "chorões" é intenso, tivemos uma programação bastante diversificada, com nossos grandes instrumentistas e compositores deste gênero maravilhoso.

Beto do Bandolim, Marco César, Bozó, grupos como Choro Miúdo, com João Paulo Albertim, Saracotia, com Rafael Marques, Márcio Silva e Rodrigo Samico, e tantos outros excelentes conjuntos e instrumentistas que seria enfadonho enumerar, animaram as tardes e noites recifenses e até hoje, quando a Semana se encerra, muito choro ainda vai rolar.

Na sexta feira 25, participei de uma noitada inesquecível, no Bar e Restaurante Retalhos, na esquina da Rua da Aurora com a Rua do Lima, de frente para o Rio Capibaribe.  Uma noite sem luar, mas com um brilho especial do Conjunto de Beto do Bandolim e a cantora Sonia Aguiar.

Com a casa cheia e mesas nas calçadas, como sempre, o choro reinou, desde as 9 da noite até a madrugada.

Trago aqui uma música de autoria de Beto e Rossini Ferreira, cujo título dá nome ao CD que tive a honra de gravar no FStudio, anos atrás.  Inspirações, um choro lindo, que Beto executa com emoção e sentimento.  

Confiram no vídeo abaixo, especialmente gravado para o Blog Sete Instrumentos, a pedido do meu filho Fred, que lá dos Estados Unidos, onde mora há 9 anos, chora no seu inseparável bandolim a saudade dos amigos chorões do Recife.

Agradeço a Beto, ao seu irmão Alberto (violão de 7 cordas) e aos demais componentes do Conjunto, a gentileza da autorização para gravá-los.  Vocês podem ouvir mais coisas do choro aqui:
aqui:  e também aqui: Boa audição!








sexta-feira, 25 de abril de 2014

A CORDELARIA MONTEIRO HOMENAGEIA OS POETAS DA BESTA FUBANA


Nessa mania de fazer cordel, surgida há uns dois anos, já produzi algumas centenas de estrofes de toda ordem (quadras, sextilhas, setilhas, décimas, martelos) em comentários e pelejas virtuais no Jornal da Besta Fubana, onde assino coluna. 

Motivos os mais diversos podem resultar em pelejas animadas em que os poetas se digladiam por horas e até dias, pela WEB, resultando disso folhetos muito interessantes, alguns dos quais já publiquei aqui.

Parte deste, cuja capa encima esta matéria, vou trazer hoje para vocês, por um motivo especial: quero aqui fazer uma homenagem aos meus amigos poetas daquele Blog, sem os quais eu não teria entrado nessa vertente artístico/literária que é a poesia de cordel.

Como vocês vêem a capa não tem a ver com a homenagem que acabo de mencionar. E tem...
Pois foram os versos de uma animada peleja, começada para glosar um mote do Escritor e Editor do JBF, Luiz Berto, que me fizeram ser escolhido como um dos cinco colocados num concurso interno de glosas, o que nos divertiu bastante. O mote também se prestava a muita chacota: "Tua mãe morre e não acha/ outro macho que nem eu" !  A ilustração também é da minha autoria, pois meto-me a imitador de desenhista e assim vou matando a vontade de ser artista.

Através da minha fictícia (mas eficiente) Cordelaria Monteiro, que já editou 32 títulos e tem muitos outros na fila de edição, tenho registrado essas brincadeiras para distribui-las com amigos e admiradores da poesia de cordel.  Divirtam-se com o texto:

Apresentação:

AOS MEUS AMIGOS POETAS DO JBF

Faço aqui uma homenagem aos colegas de Jornal que sempre estão postando poemas, folhetos, comentários em verso, como também provocando, com seus ricos motes, diversas e boas pelejas entre a poetada que frequenta o Jornal da Besta Fubana, esta fronteira da boa poesia nordestina e brasileira.   Fred Monteiro


1.
Ismael, Filó, Dalinha
Jessier e Dom Capeta
Xico Bizerra é porreta
Itaerço anda na linha
Claude Bloc é a rainha
Do Crato tão festejado
Nesse blog consagrado
Que tem Gregório e Crisanto
E Alamir, lá no seu canto
Fazendo verso rimado

2.
Hélio, Jefferson, Nonato
Hardy Guedes e Aristeu
Tem gente que apareceu
E depois sumiu, no ato
Com medo que o carrapato
do poema de cordel
grudasse no seu chapéu
Pois eu não faço questão
Cutuco meu violão
E aí é sopa no mel

3.
Só uma coisa desafina
Nesse papo de poeta
é quando vira uma meta
é quando vira uma sina
brigar por coisa mofina
apelar pra grosseria
insistir na hipocrisia
de defender aloprado
falando papo furado
pra defender utopia

4.
Tem poeta que sumiu
por conta dessa pendenga
de toda essa lenga-lenga
que a política pariu
e a solução não viu
Pois eu digo com certeza
que as cartas estão na mesa
Pra quem quiser arengar
eu nunca mais vou entrar
nesse rio de correnteza

5.
E agora peço desculpa
se ofendi a alguém
intenção nunca se tem
não precisa sentir culpa
pois não há gênio que esculpa
a estátua da verdade
com mil faces sem maldade
e mais mil tão tenebrosas
Pois nem tudo são só rosas
Nesta nossa humanidade

FIM

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terça-feira, 15 de abril de 2014

O AMANTE DA LUA - TRIBUTO AO AMIGO CARLOS OMENA

Era assim que ele se definia.  Um amante da Lua.  De profissão, era Engenheiro-Agrônomo.  Foi colega de repartição, nos tempos em que se podia ir para as ruas e praças do Recife à noite, para observar os astros.  Omena, como eu o chamava, era um apaixonado pela Astronomia.  Das muitas conversas que tivemos sobre o assunto, aprendi muito com ele.  Fotógrafo competente, era também um poeta da luz.  Especializou-se em "escrever com a luz" (foto - grafar) a Rainha da Noite.  A Lua foi sua musa durante anos a fio.  Omena, com muita competência, realizou inúmeras exposições de suas belas fotos da Lua. Ora em Shoppings Center, para atingir o grande público, ora em Grupos de Astronomia, em escolas da rede pública, etc.  Não perdia oportunidade para divulgar a sua Rainha.

Nosso belo e misterioso satélite, mostrando orgulhoso suas crateras, montanhas e mares
(foto do autor, às 02:46 de hoje)


Certa vez, contou-me o amigo, estava ele fotografando no meio da rua, com tripé e câmera, olho no visor e alma voando livre pela noite, quando sentiu uma presença estranha ao seu lado. Um sujeito alto e forte, barba por fazer, mal-vestido e cheirando a álcool.  Perguntou o que observava o Omena com tanta atenção.  Ao que ele respondeu:  - A Lua.  Quer dar uma olhada?  O sujeito quis.  E passou longos minutos extasiado com a beleza do astro.

De repente, tirando o olho do visor da câmera, bateu delicadamente no ombro do Omena e falou:
- Olha, o senhor precisa tomar cuidado com esse seu "esporte".  Estou lhe avisando porque este bairro está ficando muito perigoso.  Eu mesmo assalto muita gente por aqui.  Vá por mim....  guarde seu equipamento e vá pra casa.  E muito obrigado por ter-me deixado ver essa beleza de lua.

Foi o que ele fez, claro...

Lembrei-me hoje de homenagear este velho amigo, por conta do meu amor às coisas do firmamento.  Fiz o Curso de Iniciação à Astronomia, dirigido por um Astrônomo e Professor sem igual: o Padre Jorge Polmann, um salesiano dedicadíssimo à Ciência, que fundou o Clube Estudantil de Astronomia ( CEA) e seu Observatório, no Colégio São João, da Várzea.

Com muito orgulho, faço parte da Turma do Cometa Halley (1985-1986), criada especialmente para comemorar a última aparição daquele astro, cujo ciclo é de 75/76 anos.  A próxima será, portanto, em 2062.  Pouca gente (e minha Avó Maria Anna foi uma dessas privilegiadas pessoas) conseguiu ver o Cometa mais de uma vez.  Ela, que faleceu com 102 anos, teve esse prazer.
Nasceu em 1896. Em 1910, ano da sua penúltima aparição, Vovó Anna contava apenas 14 anos de idade e dela, já bem velhinha, ouvi histórias incríveis sobre o astro e o pânico que ele trouxe à população da época.

As diversas "fases" da Lua , em apenas duas horas de paciente
observação.. O horário da foto está registrado nos originais, juntamente 
com as "fichas técnicas" de cada fotografia (Fotos do autor) 
Voltando ao Padre Jorge, holandês de nascimento, aqui chegado no pós-guerra...  Era conterrâneo e homônimo de outro grande Astrônomo, que aportou no Recife em 1638 para compor a caravana científica do Conde Maurício de Nassau,  e logo fundou o primeiro Observatório da América Latina.  Georg Markgraf era o seu nome.  Pioneiro dedicado, Markgraf foi um naturalista alemão, com formação em matemática, história natural, astronomia e medicina.

Pois bem... Ontem à noite fui dormir inquieto com um evento astronômico que eu já presenciei (e fotografei) algumas vezes: um eclipse total da Lua. Não canso de me entusiasmar com os eclipses. Devido à previsão de tempo nublado, preocupa-me sempre perder as fases principais do acontecimento. Mas, como disponho de um relógio mental que funciona muito bem, programei-o para me acordar às 2 ou 2 e meia da madrugada, para não perder nada. E assim (graças à minha insônia amiga) ocorreu.

Xingando as nuvens que teimavam em obstruir minha visão (hábito adquirido desde início de 1985, no CEA), fui teimosamente esperando e dando graças a Deus pelas "janelas" de céu limpo. A Lua, como sempre estava linda, cheia, brilhante, exibindo seus mares, montanhas e crateras com muito orgulho. Fiz dezenas de fotos. Aquela mania adquirida desde o advento das câmeras digitais. No final, quase que perdia a "apoteose". Um banco de nuvens imenso tomou conta do céu. E cadê vento para empurrá-lo dali? Desesperado, mas agradecido à Providência, consegui uma única foto da Lua, ainda avermelhada, mas já em processo de reversão do eclipse. Separei e trouxe aqui para vocês todas as "fases" do mesmo. E, de brinde, um "detalhe" do nosso satélite tão belo. Pela manhã, corri para os telejornais, a fim de admirar as fotos que sempre colocam no noticiário do "day after" dos eclipses. Qual o que! Só umas fotos antigas de outros eventos, inclusive fora do Brasil.

Bom.. Pelo menos, mais uma vez, consegui meus registros e curti, com prazer, essas quase três horas olhando o firmamento e me extasiando com os mistérios desse imenso Universo. E garanto que meus amigos Padre Jorge Polmann e Carlos Omena estavam lá também grudados na janela do apartamento e pedindo pra dar uma espiada no visor!

segunda-feira, 7 de abril de 2014

PREMEDITANDO O FORRÓ - IRAH CALDEIRA E UM ARRASTAPÉ QUENTE!

QUEBRANDO O BACALHAU


Irah Caldeira, musa do forró de Pernambuco

Bacalhau, o peixe, todo mundo gosta, todo mundo conhece. Mas tem outro "bacalhau" que só é conhecido por forrozeiros ( músicos em especial ).  Já sabe o que é?  Nem desconfia. não é?
Eu explico: "bacalhau" nos meios forrozeiros e forrozistas é aquele pedaço de madeira (normalmente um galhinho de goiabeira, que é flexível e aguenta rojão) com que o zabumbeiro ataca o contratempo na pele inferior da zabumba, "respondendo" à batida do "macete" na pele superior.  Sim, aquela que ninguém sabe porque todo zabumbeiro gosta de colar um "emplastro Sabiá" para abafar a batida.  Às vezes vai um pedaço de flanela velha grudado com esparadrapo formando um quadrado no centro da zabumba, que mais fica parecendo um curativo pra "pereba"  (ferida, pra quem não conhece o termo) na pobre que leva surra o dia todo, nas festas de São João, nas latadas do Sertão, onde a poeira sobe e as morenas suam um suor cheiroso de quem dança até o sol raiar, "rodando num tijolo só".
Pois foi a esse coitado de "bacalhau" que eu homenageei num arrastapé que compus algum tempo atrás.
E não é que minha musa forrozeira, a mineira mais pernambucana que já conheci na vida, Irah Caldeira, menina quente da voz linda, que parece mais uma sabiá-laranjeira, trinando as coisas bonitas que ela canta como ninguém, gostou e gravou no seu CD que está pra ser lançado ainda neste mês de abril?
O CD chama-se "Esperando por Setembro" e foi produzido por outra fera da nossa música, o Poeta e Cantador (e também Produtor Musical) Maciel Melo.  Perguntei hoje a Irah, que me mandou um mp3 da faixa se podia divulgá-la.  Com sua autorização, trago pra vocês em primeiríssima mão, essa que vai ser a faixa 3 do disco.
Pois levantem da cadeira, tomem um "mingau de cachorro", peguem o par (ou não..) e saiam forrazando por aí.  Posso garantir que, com Irah cantando, vocês vão dançar até quebrar o bacalhau!

OUÇAM AQUI E FIQUEM PARADOS, SE FOR POSSÍVEL!


quinta-feira, 3 de abril de 2014

MEMÓRIAS DO FSTUDIO - O CD DE FÁTIMA DE CASTRO

Revendo ontem uns vídeos antigos sobre nossa atividade no F Studio (que duraram exatos 18 anos) tive o grato prazer de assistir a esse vídeo que mando pra vocês.  Trata-se de um trabalho muito bacana da compositora Fátima de Castro, esposa do também compositor Bráulio de Castro.  Essa dupla de artistas é muitas e muitas vezes vencedora de Festivais de Música aqui no Recife e em outros Estados da Federação.
Experientes e competentes, têm o condão de transformar em sucesso seus trabalhos em parceria ou também individuais.
Fátima e Bráulio compuseram todo um CD de canções dirigidas ao público infantil (mas também plenamente necessárias ao público adulto), tratando de uma coisa de que o Brasil é tão carente: EDUCAÇÃO, ÉTICA, MORAL, RESPEITO AO PRÓXIMO.  Esses valores que hoje (e sempre) foram tão relegados a um segundo plano por nosso povo.
Coisas simples, fáceis de praticar, como dar bom-dia, agradecer, perdoar, jogar lixo na lixeira, etc...
Coisas simples, mas tão importantes na vida de uma sociedade.  Vida que começa na vida de cada cidadão que nasce, cresce, vive e morre dependendo dos outros.  E quase nunca dando o devido valor, o merecido respeito, a esses vagos "outros"...
Quando fomos partir para a gravação das vozes, chamou a atenção da Imprensa, em especial da Televisão (no caso a TV Globo local) essa atitude do casal de compositores.  E foi ao ar esse vídeo, que copiei à época, do telejornal local da Globo e agora trago para vocês.  Emocionem-se e divirtam-se com aquelas criaturinhas tão belas e sensíveis à boa mensagem que Fátima e Bráulio lhes trouxeram.



quarta-feira, 5 de março de 2014

ETERNO CARNAVAL




Começa hoje o período da Quaresma cristã.

Para os foliões, este primeiro dia, a Quarta-Feira de Cinzas, significa o fim da folia de Momo.

Antigamente, o período durava 3 dias. Do domingo à Terça-Feira Gorda, os foliões se esbaldavam nos prazeres da dança, da música, da comida farta e principalmente de imensas e intermináveis libações. No popular, pulavam e cantavam, comiam de tudo e enchiam a "caveira" de cana.

Mas, a quarta-feira ingrata chegava e haja lamentações, murmuradas, choradas baixinho nas dores de cabeça e de "cotovelo".

À ressaca fatal, juntavam-se as dores dos amores perdidos, dos amores de carnaval, fugazes como a vida, quando olhada pelos olhos do Juízo.  Do juízo perdido naquela tríade louca.  Que, hoje, são pelo menos uma dezena e meia de tríades, pois o carnaval de muitos começa no espoucar dos fogos do Ano Novo e termina no Domingo da Quaresma.

Mas há, ainda, quem cultive as reflexões da Quarta-Feira de Cinzas.  Nem que seja por breves linhas de um "post" num blog mal alinhavado.

Nem que seja somente para recordar uma música composta na madrugada de uma quarta feira de garoa fina, que mitigava o calor do Recife, nos idos de fevereiro de 1995.

Foi assim que compus "Eterno Carnaval".  Que, anos depois, a minha amiga WOLEIDE DANTAS, excelente cantora, que conviveu, cantando na sua Orquestra, com Nelson Ferreira, o nosso grande Maestro, ícone dos eternos carnavais.

Aqui, a letra do frevo:

Meio cinzenta, vem chegando a quarta-feira
Sua tristeza apertando corações
Anunciando que acabou-se a brincadeira
E a vida nem sempre é formada de ilusões

Mas resistimos agarrados nas lembranças
Feito crianças recusamos despertar
E um belo sonho de amor, tão colorido
Pelas ruas do Recife insistimos em sonhar

Virá um dia de alegria sem igual
E um grande sol dourando as pontes da cidade
Vai nos dizer que eternamente é carnaval
E o nosso bloco não precisa ser saudade...


Aqui, a música, na interpretação de Woleide Dantas:

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

TODO DURO CONTINUA "ESTRAÇAIANDO" E FAZENDO AMIGOS

Luciano "Todo Duro" Torres, um mito do boxe

Quem não conhece essa figura lendária do boxe pernambucano, não conhece o Recife.

Eu tive esse prazer há cerca de 26 anos atrás, no Parque da Jaqueira, onde eu já praticava corrida havia 5 anos. 

Meu filho mais velho queria estudar capoeira e um professor começou a dar aulas no Parque, embaixo de uma frondosa mangueira.

Era um cara simples, comunicativo e de uma energia sem limite. Seu nome de pia, Luciano Torres, mas pouca gente se lembra disso.  Mas se perguntarem por Todo Duro, todo mundo se manifesta. Ele com sua simpatia e com suas luvas e golpes certeiros, ganhou a unanimidade da torcida do Recife e acho que do Brasil inteiro.  

Seu linguajar que não mudou até hoje, é de um cara sofrido criado no trabalho duro e escolado na vida de atleta.  Uma trajetória esportiva que inclui 70 combates, 45 vitórias por nocaute e apenas oito derrotas.  Seu arquirrival, o baiano Hollyfield fez com ele seis lutas, com três vitórias para cada lado, mas o confronto fora dos ringues é que chamou a atenção do país e entrou para o folclore do esporte. 

No seu jeito moleque de desafiar os rivais, Todo Duro tem um bordão, uma frase que faz rir qualquer fã e tremer qualquer desafiante: "Vou estraçaiá!!"  (Pra quem não conhece o dialeto, estraçaiá é "estraçalhar", acabar de vez com o oponente.) 

E assim, de luta em luta, Todo Duro conquistou sua glória.  Ser reconhecido como atleta e como ser humano diferenciado, no Recife e no Brasil.

Domingo passado, encontrei Todo Duro num bloco aqui pelo Poço da Panela.  Ele mora pela redondeza, em Santana, bairro vizinho.  Reconheceu-me logo, quando falei nos treinos na Jaqueira e nas aulas de capoeira que ele dava para o meu filho.  

E até me confessou, depois que perguntou se eu continuava correndo: - Você corria muito pro meu gosto. Eu nunca passei de 10 quilômetros até hoje.  Mas se eu quiser, eu ainda "estraçáio" um até na corrida.  

Demos uma boa risada e logo posamos para as fotos do desafio que lhe fiz para uma luta (de mentira).  
O desafiante e o campeão Todo Duro...(quero ser estraçaiado nada!!!)
Meu filho Enrico, que não foi seu aluno, mas continua seu fã, fez as fotos.  E eu também fiz uma em que Todo Duro desafiava Enrico para um nocaute no ringue.

Todo Duro e Enrico, só na cara de mau

Para encerrar, uma matéria do Globo Esporte sobre o último desafio de Todo Duro: a cadeira do dentista.  A reportagem está simplesmente hilária !  E desta vez quem foi "estraçaiado" foi nosso herói...

copie o link, cole no seu navegador e veja aqui: http://globotv.globo.com/rede-globo/globo-esporte-pe/v/todo-duro-e-nocauteado-na-cadeira-do-dentista/3172838/


Longa vida a Todo Duro, esse pernambucano ímpar no ringue da vida !

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

MÚSICAS PARA O BLOCO FLOR DA VITÓRIA-RÉGIA (9) UM PRANTO QUE CAI

UM PRANTO QUE CAI
(Getúlio Cavalcanti)

Vitória-Régia está dizendo adeus
A nossa Praça vai silenciar
Tempos de glória foram tantos seus
Onde o passado soube caminhar
Cruzando ruas seduzindo nós
Extasiados pela emoção
Fantasiados de evocadores
Cativando as flores soltas pelo chão

Casa Forte deixou de rir
Um silêncio esvaiu-se em dor
O Recife se despediu
De quem foi seu amor
Nosso "Banjo de Ouro" sai
Da História que aconteceu
E um pranto do rosto cai
Pela dor que doeu

Da esq para a dir: Getúlio, Hamilton, Fred e Tatiana, numa noite de despedida


Foi assim que Getúlio Cavalcanti fez a homenagem final ao nosso Bloco dias após o Carnaval de 2006.

O ponto alto do desfile era quando o Bloco chegava ao Largo do Poço da Panela e nós prestávamos uma homenagem a José Mariano, um dos patronos da Abolição em Pernambuco.
Diante do seu busto em bronze encimando a figura de um escravo com grilhões arrebentados, sempre nos deixávamos tomar pela emoção daquele lugar histórico.

No Largo do Poço, a casa de José Mariano,
seu busto e a estátua do escravo liberto

Os moradores do bairro festejavam demais esse momento com fogos de artifício que pintavam de verde a noite, refletindo nossas cores nas paredes da multicentenária Capela de Nossa Senhora da Saúde.

Nesta noite, em especial, após tocarmos muitos frevos de Bloco, estávamos eu, Getúlio e minha filha Tatiana, a Presidente do Bloco conversando sobre a decisão, que havíamos tomado em família, de recolhermos o Flor da Vitória-Régia por prazo indeterminado. Foi um momento triste; não havia como evitar a despedida. Num abraço final, foi impossível conter a emoção e evitar as lágrimas.

Sem deixar transparecer essa tristeza às centenas de pessoas ali reunidas, retornamos à Praça de Casa Forte, já sabedores de que, pela última vez, o Bloco regressava ao seu ponto de partida.



domingo, 23 de fevereiro de 2014

OS COBRADORES


Anos atrás, não sei se 25 ou 30, por aí,  numa "carrocinha" da época, um fiatezinho de segunda mão, me deslocando pelo já complicado trânsito do Recife, rumo ao trabalho eu era assediado por menores ditos "abandonados", vendendo chiclete em sinal ou simplesmente pedindo ou tentando "lavar" os parabrisas dos carros com água suja recolhida dos canais fétidos do Recífilis,  pensava cá com meus botões: um dia eles não vão mais querer pedir, esmolar, uma condição melhor de vida.  

Eles irão exigir isso pelos seus métodos, um dos quais o mais óbvio:  a brutalidade, o instinto predador que se forma anos a fio de revolta e fome, de frustração e desencanto com o futuro.  

E as "autoridades" a quem compete a direção da cidade, do estado, do país, o que podiam fazer, sob nossa procuração concedida através do voto de confiança dado quando os elegemos, o que faziam por eles?  

Exatamente o que fazem hoje: nada. Nada a não ser piorar o que já era insuportável.  

Não precisava ser profeta para adivinhar que um dia tudo isso viria à tona, nas suas cores mais berrantes, nos seus ruídos mais distorcidos.  O que vivemos hoje é uma era de cobranças. 

Abusamos dos humildes, tripudiamos sobre os eternamente vencidos, desprezamos o grito dos miseráveis.  

Nós, os eleitores, e eles -principalmente eles, os eleitos- estamos recebendo agora essa cobrança. Quanto dinheiro dos nossos impostos, do nosso suor, desperdiçado ao longo dessas décadas! Quanta dor e sofrimento de toda essa massa obscurecida pela torrente invencível do tempo.  

Multiplicaram-se os cobradores. 

A miséria só aumenta, a cada filho indesejado, nascido nas enxergas das favelas.  O instinto de preservação faz, assim, aos miseráveis, aquilo que faz aos ratos. Procriam desesperadamente visando minorar sua miséria. 

Um paradoxo da natureza, esse instinto.  Quanto mais miséria se tem, mais miséria se gera. Poucos desses miseráveis tiveram o adjutório do destino, que lhes concedeu o momento de salvação e os tirou da roda viva da fome, do vício, da vida bandida. 

Estão agora, consciente ou inconscientemente, cobrando da vida o que a vida lhes negou, sempre. E nós, conscientes ou inconscientes, estamos pagando a conta. Enjaulando-nos em prisões de luxo, nossos apartamentos vigiados, trancados, inacessíveis, por enquanto.  Alguns, muitos, já não o são mais.  

As grades em geral separam bons e maus. Bons seriam os livres, maus os prisioneiros. O sinal inverteu, faz muito.  Hoje somos nós os prisioneiros.  A vida assim o decretou.  

Trancafiamos nossos sonhos num espaço minúsculo, enquanto que os "cobradores" vivem livres nas cidades que sonhamos um dia para os nossos descendentes.  

A paz dos campos com que sonhamos metamorfoseou-se nas batalhas campais a que assistimos hoje nos telões de led, aconchegados numa suposta paz dos lares. 
Aonde chegaremos?  Quem sabe?  Com sorte, se dosarmos nossas saídas ao mundo violento extra-muros, conseguiremos escapar ilesos por alguns anos mais.  

Não vejo muitas saídas. Inviabilizamos nossos sonhos, apagamos as luzes do progresso da humanidade, de que tanto nos orgulhamos um dia.

 A Hidra cresceu.  Com sete mil cabeças, não menos. 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

MÚSICAS PARA O BLOCO FVR - 8- PERFUMANDO CASA FORTE

Num desfile pelo Recife Antigo, ladeado pelo Maestro Duda e sua esposa Mida
"Nos meses de janeiro e fevereiro brotam as flores da vitória-régia. Elas são brancas ou rosadas, possuem várias camadas de pétalas, e abrem somente durante a noite, exalando um perfume maravilhoso. Algumas flores atingem trinta centímetros de diâmetro."

Elas -como o Carnaval- têm vida curta. Mesmo assim, tornam-se inesquecíveis, para quem as conhece.

Foi realmente uma vitória para a nossa família trazer para a rua uma alegria pura, ao modo antigo de brincar carnaval.  A nossa intenção, desde o início foi essa: sem patrocinadores, sem verbas públicas, sem apoio de quaisquer associações de bairro ou entidades outras, simplesmente juntávamos os músicos da família e os amigos da Música, desde gente muito importante em Pernambuco, como o Maestro Duda, um ícone dos nossos carnavais, a sobrinhos que começavam a tocar violão ou percussão, a filhos e netos dos amigos ou simplesmente músicos simples que se incorporavam à nossa orquestra pelo prazer de participar e manifestar sua alegria.  

Assim também os desfilantes da familia ou amigos e amigas, que cuidavam de confeccionar as suas fantasias (todas dentro das temáticas estabelecidas para cada ano, mas que podiam ser utilizadas nos anos seguintes, sem restrições de nossa parte).  

O Bloco criou, em seu entorno, uma aura de simpatia e carinho que cativava cada vez mais foliões. Nossa Orquestra chegou a ter mais de 30 músicos, muito bem ensaiados e numa afinação e harmonia invejáveis e com repertório sempre atualizado. Foi esse espírito de participação que procurei mostrar na letra desse frevo-de-bloco, como vocês poderão ver.

PERFUMANDO CASA FORTE
(Fred Monteiro)

O nosso Bloco vai sair vistoso
Cantando um frevo dengoso
P'ro povo se alegrar
E na cadência desse frevinho sincopado
Eu quero estar do teu lado
Na hora de regressar

Vitória-Régia, flor de Casa Forte é a nata
É um turbilhão verde-prata
Que faz nossa gente vibrar
Pastoras formosas que evoluem com graça
Cantando as belezas da Praça
Deixando perfume no ar.


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

MÚSICAS PARA O BLOCO FLOR DA VITÓRIA-RÉGIA (7) BRÁULIO DE CASTRO

Minha esposa Edla e a Vitória-Régia, no Parque Emílio Goeldi, em Belém-PA

Continuando a série "Músicas para o Bloco Flor da Vitória-Régia" trago hoje um dolente frevo-de-bloco do campeoníssimo compositor Bráulio de Castro, em dupla com sua esposa Fátima. 

Tricolor inveterado, perturbou muito, em coro com o Véio Mangaba (Valmir Chagas) e o percussionista Xaruto, este blogueiro,  quando da gravação do disco comemorativo aos 90 anos do Santa Cruz F.Clube (O Veneno da Cobra Coral).

Bráulio é um colecionador de títulos os Festivais de Frevo promovidos pela Prefeitura do Recife e nos deu este presente logo depois da fundação do FVR.  Desfilou algumas vezes conosco, junto a Fátima, esta também participando da Orquestra de pau e corda do Bloco e do seu Coral.

Uma honra para nós, ter tido essa colaboração da ilustre dupla, por demais conhecida e competente.  Filhos de Bom Jardim, a terra de Levino Ferreira, Dimas Sedícias, Laurivan Ferreira, Lúcio Sócrates e tantos outros grandes músicos pernambucanos, os dois têm sido presença constante entre os primeiros colocados naquele Festival, há anos.  Abaixo, letra e música do frevo-de-bloco.


QUE FLOR É ESSA ?
(Bráulio de Castro e Fátima de Castro)

Que flor é essa que brotou em Casa Forte?
Cheia de encanto, tão diferente
Foi se abrindo, espargindo alegria
E perfumou o coração da gente

Só quatro dias ela tem de existência
Mas a essência jamais morrerá
Que flor é essa? É a Vitória-Régia
Que nos guizos da folia brotou e vai ficar
Que flor é essa? É a Vitória-Régia
Que nos guizos da folia brotou e vai ficar


sábado, 1 de fevereiro de 2014

COISA DE PARECEIRO



Dedé, minha Madrinha e segunda mãe usava muito certos termos bem nordestinos e os aprendi com prazer. E quando ela queria expressar seu repúdio a gente com atitudes negativas, pessoas mal educadas, meninos grosseiros e desobedientes, usava, de frente a palavra PARECEIRO.
Eu achava interessante esse linguajar e ficava me questionando o por que de "pareceiro". Um dia perguntei a Dedé o que queria realmente dizer "pareceiro".  E ela, na hora, respondeu: -Fedim, pareceiro é gente ruim que parece com o Cão.
Nunca mais esqueci.  E passei desde esse dia a ser vigilante com minhas atitudes, para não me tornar também um "pareceiro".
Então, um dia desses, no Jornal da Besta Fubana, onde tenho coluna, surgiu um mote, dado pelo amigo Marco DiAurélio, botando na berlinda os pareceiros que hoje mandam no Brasil.
Como sempre acontece, assunto não falta para um mote desses e daí começamos uma "peleja" baixando o cacete nos pareceiros atuantes deste Brasil tão grande e tão massacrado por pareceiros de todas as cores partidárias, principalmente os do pastoril encarnado e azul que continuam deslustrando o nosso País.
Segue aí o resultado da peleja, que virou mais um cordel da nossa Cordelaria Monteiro.

COISA DE PARECEIRO 

1. Dom Capeta

Eita país tão escroto
que não me vale um vintém
seu futuro nunca vem
nem vai sair do esgoto
um carro véi sem piloto
descendo pelos aceiros
um jogo de trapaceiros
vivendo de enrabada
eita corjinha safada
que elege seus pareceiros.

2. Fred Monteiro

Dom Capeta bom de guerra
traz um mote arretado
pra gente fazer traçado
esculhambando essa terra
de político que emperra
o progresso brasileiro
e que só pensa em dinheiro
dentro do seu matulão
eita país de ladrão
pra eleger seu pareceiro !

3. Ismael Gaião 

De que o povo reclama,
Eu não consigo entender.
Pois só o vejo eleger
Bandido que muito mama.
Se o país está na lama
É culpa dos brasileiros,
Pois eles são os primeiros
A fazer corrupções
Votando nas eleições
Nos que são seus pareceiros.

4. Dom Capeta

Meu caro Ismael Gaião
você disse e disse bem
em nosso Brasil não tem
quem trace na eleição
um freio de arrumação
pra juntar esse mosqueiro
com gasolina e isqueiro
numa fogueira bonita
pra acabar essa desdita
desse mói de pareceiro.

5.Fred Monteiro

Mas tipo de gente existe
inteligente e letrada
em “finesse” acostumada
e metida a fazer chiste
que não entrega o “alpiste”
é luxo pro ano inteiro
vive fazendo cruzeiro
de um vinho não abre mão
eita país de ladrão
pra eleger seu pareceiro

6. Dom Capeta

Sou Capeta bom de guerra
Fred Monteiro falou
eu puxei a meu avô
um senhor de pouca terra
cabrito que é bom não berra
no meio do espinheiro
eu nunca fui traiçoeiro
e muito menos babão
eita país de ladrão
cheinho de pareceiro.

7. Fred Monteiro 

Quem defende a safadeza
só vê o que lhe interessa
na verdade não tem pressa
acha a vida uma beleza
e esgrima com destreza
desculpas de batoteiro
num balé bem traiçoeiro
como a ponta de um facão
eita país de ladrão
pra eleger seu pariceiro

8. Dom Capeta 

Patriótico poema
poderia ter beleza
sem existir safadeza
nem ladrão medido à trena
se apertar essa pustema
vai sair o talo inteiro
e um verso brasileiro
não teria um só ladrão
estaria na prisão
esse mói de pareceiro.

9. Fred Monteiro

Eu não sei como tem gente
pra defender esse pulha
que as idéias embrulha
numa razão aparente
parecendo inteligente
mas no fundo é um salseiro
defender um quadrilheiro
que inventou o mensalão
eita país de ladrão
pra eleger seu pariceiro

10. Dom Capeta

Meu caro Fred Monteiro
pode se arrepiar
pois o cancão vai piar
bem no meio do terreiro
assanhar o formigueiro
com baba de um sarará
pois ninguém vai escapar
da agenda de Fefé
valete vira melé
dispois que se embaralhar.

11. Fred Monteiro

O Brasil é terra boa
tirando os “cabra safado”
que já roubaram um bocado
e querem fazer mais loa
tem na terra da garoa
e tem no nordeste inteiro
desse Brasil brasileiro
uns cabra ruim que nem cão
eita país de ladrão
pra eleger seu pariceiro

12. Dom Capeta 

A Lígia que foi PT
entrou de sola e baião
falou da corrupção
do que pode acontecer
o fogo que vai crescer
e o fio de meu quicé
sob as vistas de Fefé
eu abano esse braseiro
pois o ladrão brasileiro
é pior do que melé.

13. Fred Monteiro 

Quando eu entro numa dança
danço até “reporteresso”
e nem desculpa eu não peço
vou entrando e meto a lança
pode vir mulé de trança
projeto de guerrilheiro
amigo de quadrilheiro
eu furo com meu ferrão
eita país de ladrão
pra eleger seu pareceiro

14. Dom Capeta

Cardeal Fred Monteiro
dança inté reporteresso
eu lhe arranjei um ingresso
pra entrar em meu terreiro
atravessar o braseiro
sem deixar perder a fé
depois falar com Fefé
pedir a bença e voltar
e adispois se confessar
para voltar o que é.

15. Fred Monteiro 

Eu nunca vou defender
uma cambada nojenta
presidente ou presidenta
do meu pão não vai comer
pois não vou retroceder
Eu tou do lado certeiro
Não gosto de companheiro
do cabra do bigodão
eita país de ladrão
pra eleger seu pareceiro

16. Fred Monteiro 

Quem entrar na roda agora
se não rezar direitinho
vai se queimar bonitinho
Fefé ajeita na hora
Dom Capeta não demora
aprontar seu fogareiro
que tem até um bueiro
lá nas profundas do Cão
eita país de ladrão
pra eleger seu pareceiro

17. Fred Monteiro 

Capeta vêi cá mulixa
tirando fogo das venta
quem num gostá se arrebenta
vá coçá rabo na lixa
vá pedir a bença a bicha
vá lavá os seus cuêro
Dom Capeta  tem berrêro
de derrubá avião
eita país de ladrão
pra eleger seu pareceiro




segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

MÚSICAS PARA O BLOCO FLOR DA VITÓRIA-RÉGIA (6) DEUSA AMAZONA


Flor da Vitória-Régia, o Bloco de Casa Forte
Em 1935, o grande paisagista Burle Marx inaugurou uma carreira de sucesso quando projetou sua primeira grande obra pública no Recife, a Praça de Casa Forte. Até então uma área aberta, conhecida como Campina da Casa Forte, em frente à Igreja Matriz do bairro que tinha sido, no passado, a sede do histórico Engenho da Casa Forte, onde batalhas se travaram na luta contra o invasor Holandês em idos do Século XVII.

Faz 61 anos que moro no Poço da Panela e em Casa Forte e tenho um grande amor por esses bairros (o primeiro originado de uma "povoação" à beira do Rio Capibaribe, terra de José Mariano, o Libertador e o segundo um solo sagrado de onde o nascente exército brasileiro venceu mais uma batalha para expulsar do solo pátrio o exército invasor).

Pois Burle Marx, no projeto grandioso do ajardinamento da Praça de Casa Forte, utilizou-se largamente de espécimes da flora amazônica, incluindo árvores de grande porte, destacando, em seu canteiro central um lago circular, em que reinou absoluta em meio a outras plantas do Rio Amazonas, como ninfeias, tinhorões e aningas, a singular "vitória-régia" dominando tudo, por sua beleza e excentricidade.

Assim, com o decorrer do tempo, esse parque que é um verdadeiro patrimônio da Cidade Maurícia, tornou-se conhecido, também, como a Praça da Vitória-Régia. Tanto assim é que, em 26 de janeiro de 1936, o Diário da Manhã publicou com todo o destaque reportagem fotográfica sob a manchete "O MAIS BELLO JARDIM DO RECIFE", destacando a beleza das suas ninféias e em especial "o encanto das victórias-régias".

Aos sete anos de idade eu, menino de curso primário da Escola Padre Donino, naquela Praça, ansiava pelo término das aulas, para ficar passeando pelos seus jardins e, principalmente, admirando aquela planta fantástica que, segundo ouvia falar, aguentaria o peso de uma criança em sua enorme folha de um metro de diâmetro que de tempos em tempos se ornava com uma belíssima e enorme flor cuja cor cambiava do violeta ao branco mais puro, em alguns dias.

Assim, quando fundei, com minha família, o Bloco Flor da Vitória-Régia, procurei ressaltar nas suas cores e símbolos todo o amor que lhe dedicava e logo após o Carnaval de 2001, compus "Deusa Amazona", a música que ilustra este "post". Note-se que no título permiti-me uma "licença poética" quanto ao termo "amazona". O correto seria, naturalmente, "amazônica", por se referir à sua origem daquele Estado brasileiro.

Aqui, a letra desta música do nosso Bloco:

DEUSA AMAZONA (marcha de bloco de Fred Monteiro)

Oh, flor da vitória-régia
Rainha de Casa Forte
Sem ti não há quem suporte
Tanta saudade so Carnaval
A lua prateia as águas
Em que repousas serena
E as mágoas se tornam amenas
à tua presença real

Se Deus, ao criar as flores
Em noite tão soberana
Ungiu-te com Seus favores
Oh, minha deusa amazona
Cobriu-te então de amores
E nunca mais te esqueceu
Pois dentre todas as flores
A preferida Ele te escolheu


Este frevo-de-bloco (ou marcha-de-bloco, como usualmente prefiro), foi gravado também numa versão bem seresteira pelo grande músico e amigo Geraldo Azoubel, num arranjo especial para a sua gaita de boca ou "realejo", como preferia chamar. Incluo aqui as duas versões, a primeira com a nossa orquestra de pau-e-corda (destaco o bombardino floreado do meu amigo músico da Banda Sinfônica do Recife, o Américo e o flautista Valdemir); a segunda com arranjo meu e participação também do Valdemir, na flauta.

Deusa Amazona versão do Bloco FVR



Deusa Amazona versão solo Geraldo Azoubel







sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

MÚSICAS PARA O VITÓRIA-RÉGIA (5) - INALDO LIMA

O Bloco Flor da Vitória-Régia desfila no Recife Antigo (Ponte Maurício de Nassau)













Desde o início do Bloco, o compositor e amigo Inaldo Lima, Professor aposentado da UFPE, músico criativo e recordista de gravações de frevo e choro, Prefeito da Praça do Choro (na sua residência) onde congrega a nata dos "chorões" daqui e de fora nos prestigiou com seu talento.

Inaldo é pai de duas exímias musicistas (já falei sobre elas aqui) as gêmeas Mayra e Moema (bandolinista e cavaquinista respectivamente -ou será o inverso?... eu sempre me atrapalho) além de Iuri, um contrabaixista de primeira. O próprio Inaldo foi também músico, clarinetista da Banda do Liceu Pernambucano.

Apaixonado pelos blocos líricos do Recife, Inaldo compôs para todos eles.  Para o Vitória-Régia nos presenteou com duas pérolas musicais. Este "Voltando ao Vitória-Régia" foi a primeira que nos ofertou e cuida do arrependimento de uma das nossas coralistas e do seu retorno ao Bloco.

O humor é uma característica de Inaldo, além dos hilários títulos que ele põe nos seus frevos de rua, muito técnicos e bem arranjados (ele próprio é arranjador).

Segue a letra e a música do Mestre Inaldo que um dia, no texto de uma capa de disco seu, eu disse ser (e é, sem dúvida) uma "represa humana de talento".  Isso porque, num curto espaço de tempo Inaldo gravou centenas de músicas, todas de excelente qualidade.

VOLTANDO AO VITÓRIA-RÉGIA (Inaldo Lima)


Eu acho é pouco que você esteja sofrendo
Pela mania de falar sempre demais
Dizendo coisas que você nem sente
Deixando a gente na beira do cais

Você pegou um barco e foi embora
Em outro bloco você foi cantar
E agora retorna chorando
Ao Vitória-Régia pedindo pra voltar

Eu não sei que fazer pra resolver o seu problema
Pois o Coral já está "na medida"
Com Tatiana, Henny, Karina e Mida
Dulce e Dalila afinando o cordão

Você precisa mudar menina
Se aconselhar pra não ficar sempre na mão
Procure Fred que é "macaco velho"
Que logo, logo, ele acha a solução...

VOLTANDO AO VITÓRIA-RÉGIA
Interpretação: Coral Edgard Moraes

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

MÚSICAS PARA O BLOCO FLOR DA VITÓRIA-RÉGIA (4) - O HINO DO BLOCO

O autor, ladeado pela filha e esposa, com os flabelos dos
dois Blocos que fundou com a família: Cinema Mudo e Vitória-Régia
Em 12 de Setembro de 1998, numa reunião da família para comemorar aniversário de casamento dos nossos pais, resolvemos fundar um Bloco Carnavalesco Misto para brincar em paz nosso carnaval em Casa Forte.

Eu havia composto meses antes um frevo-de-bloco com essa intenção mas precisa sondar a turma toda pra ver se topavam a empreitada, que não é fácil.

Só gravei oficialmente esta música quando o Bloco completou 10 anos, ou seja em fins de 2008.  É que o compositor Getúlio Cavalcanti solicitou uma parceria, para compor uma melodia para a minha letra.

Aceitei e durante 7 anos em que desfiliamos nas ruas de Casa Forte, o Bloco cantou essa versão, que ficou bem mais conhecida, em virtude do longo tempo de exposição.

Mas, por questão de respeito e amor à história do Bloco, gravei a versão original com melodia e letra de minha autoria.  Não é o primeiro caso, na história da música brasileira, de termos uma letra de música cantada com duas melodias diferentes, nem será a última.

A letra vai aqui transcrita e as gravações logo abaixo.
Por favor, entendam que esta divulgação não tem o caráter de comparar o que é incomparável.
São dois trabalhos de criação diferentes e completamente diversos, cada melodia com o clima que o compositor (eu e Getúlio, respectivamente) imprimiu à obra, com o seu próprio sentimento.

HINO DO BLOCO FLOR DA VITÓRIA -RÉGIA
(Letra e música de Fred Monteiro)

Escuta, Casa Forte!  Teu Bloco vai sair
E a Flor da Vitória-Régia
Outra vez na Praça vai se abrir
Viemos para cantar glórias e tradições
De um bairro secular
À luz dos seus eternos lampiões

Relembra, Casa Forte
O Engenho de Anna Paes
As lindas sinhazinhas
Correndo em seus quintais
E à luz do sol poente
Ao som das cigarras daqui
Saudamos José Mariano
E a Liberdade que ele fez surgir


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FLOR DA VITÓRIA-RÉGIA
(Música: Getúlio Cavalcanti / Letra: Fred Monteiro)


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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

DOUTOR, EU NÃO SOU POETA !


Nessa atividade diária com a poesia de cordel, de dois anos pra cá, tenho aprendido -e muito- com amigos poetas já consagrados.  
O Jornal da Besta Fubana é um polo de desenvolvimento e luta pela manutenção desSa tradição maravilhosa que os poetas nordestinos não deixam morrer.
A literatura de cordel é uma marca na cultura do Nordeste brasileiro que interessa a estudiosos e pesquisadores da literatura universal, tanto pelo seu aspecto folclórico, como do ponto de vista histórico.
Fincou raízes por aqui de tal maneira que é difícil dissociar seus elementos com os da cultura ibérica de onde evoluiu e aqui aportou trazido pelos colonizadores.
Apaixonei-me de tal modo por essa arte que sempre admirei desde a infância, ouvindo os emboladores, cantadores, repentistas em geral, mas nunca havia tentado escrever poesia de cordel. 
Até que, instigado pelo movimento cordelista abundante no Jornal da Besta Fubana, que congrega gente de todo o Brasil, passei a praticar e estudando sempre as formas e modos de versejar, tentando sempre obedecer às rígidas regras dessa arte, tenho hoje algum reconhecimento dos meus pares.
E uma forma de agradecer a eles é divulgar as suas glosas, no meu espaço literário, que são os blogs SETE INSTRUMENTOS e PROSA & RIMA (este desativado, no momento) e também na minha coluna do JBF (Mascate das Lembranças).
Trago então um mote do caro poeta JESUS DE RITA, de Acari, RN, que foi glosado pelo nosso grupo de apaixonados por cordel, destacando Maria de Lourdes Catunda, de Ipu (CE), a nossa querida DALINHA CATUNDA.
O mote é: "Doutor eu não sou poeta, sou curioso somente."  Vamos às glosas:



Jesus de Rita de Miúdo

Queria cumprir a meta
De viver só de poesia
Mas descobri outro dia
DOUTOR, EU NÃO SOU POETA.
Isso muito me afeta
Chegando a ser comovente
Meu esforço diligente
Pra fazer verso perfeito
Mas creio que não tem jeito
SOU CURIOSO SOMENTE.  

Dalinha Catunda 

Nunca tiro o meu da reta
Na hora de versejar.
Não tenho medo de errar
DOUTOR, EU NÃO SOU POETA.
Mas est’arte predileta,
Remexe com minha mente
É mágica e envolvente,
E ninguém me contradiz
Porém sou só aprendiz
SOU CURIOSO SOMENTE.

 Fred Monteiro

Eu atiro a minha seta
mas não acerto no alvo
porque além de ser calvo
DOUTOR, EU NÃO SOU POETA
pois nesta arte seleta
só tem cabra inteligente
daquele tipo de gente
que é difícil encontrar
por isso posso afirmar:
SOU CURIOSO SOMENTE !

Jesus de Rita

Minha alma se inquieta
Triste está meu coração
Pois cheguei à conclusão
DOUTOR, EU NÃO SOU POETA.
Sou apenas um atleta
Aplicado e penitente
Vivendo o meu presente
Aprendendo bem ligeiro
Não sou um Fred Monteiro
SOU CURIOSO SOMENTE.

Fred Monteiro

Eu posso ser até atleta
pois corri a Maratona
sete dias por semana
MAS DOUTOR, NÃO SOU POETA
Passo o chapéu na coleta
pra servir ao indigente
que eu sou neste repente
eu juro e não acreditam
e peço que me repitam:
SOU CURIOSO SOMENTE !

Jesus de Rita

Mas como bom estafeta
Sou atalaia de linha
Aprendendo com Dalinha
DOUTOR, QUERO SER POETA.
Meu espírito arquiteta
Um prédio de bela frente
Com mil versos num repente
Sempre em boa companhia
Pois nessa engenharia
SOU CURIOSO SOMENTE.

Fred Monteiro

Me interessei nessa meta
de glosar esse bom mote
eu sei que sou um pixote,
DOUTOR, EU NÃO SOU POETA..
sou somente “versão Beta”,
Esforçado e persistente,
destemido e renitente,
posso ser, e eu admito
mas digo, muito contrito:
SOU CURIOSO SOMENTE !

Mauricio Santos 

Tentei atingir a meta
Mas não passei do tentar
E sou franco ao declarar
DOUTOR, EU NÃO SOU POETA
Por isso peguei a reta
E saltei do meu batente
Me afastei do repente
Segui outra profissão
Pode anotar meu patrão
SOU CURIOSO SOMENTE